''Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.''
A mão, com caneta e papel eu fiz minha confissão. Só pensei em escrever o que se passava na minha cabeça, melhor né no meu coração, escrevi coisas que eu nunca nem imaginei que pudesse passar dentro de mim, sobre você. Você sabe, sobre você.
Eu já desconheço os sentimentos, eles já não reinam sobre mim. Eu não sei mais o que é sentir, eu não sei mais o que é precisar, só sei o que é desejar e não poder alcançar, mas eu não consigo nem sentir a decepção e a frustração. Estou afundada no buraco, rodeada pela solidão mais eu não sei, eu não sei nem me sentir sozinha, que male é esse que me priva de sentir? Quero sentir nem que seja a dor, mas eu quero sentir, porque é melhor sentir dor do que não sentir nada.
“Há pessoas tão pobres, mas tão pobres, que só têm dinheiro”. Essas, vivem na tão sonhada terra dos disfarces onde achamos que somos livres (por fora, é claro) mas em nossas mentes somos feitos prisioneiros e cada vez mais injetamos informações que percorrem e entopem nossas artérias mentais.
Demora mais não tarda, um dia essas vendas que cegam, não só os olhos, um dia elas caem. É então que podemos enxergar os verdadeiros heróis da sociedade, os que possuem o desprendimento de um mendigo e a intrepidez de um pensador, os que conseguiram sobreviver a essa aglomeração nem um pouco caridosa.
“Todo homem, cedo ou tarde, e de alguma forma, desmorona. Não tenha medo quando o mundo desabar sobre você, não tenha medo quando soterrarem suas sementes. O maior favor que se faz a uma semente é sepultá-la. Somente assim surgirá uma floresta’’. Quando passarmos por essa ducha de lucidez será muito mais fácil captar a ideia de que rico não é aquele faz pouco do muito, mas o que consegue transformar muito do pouco.
Um miserável, um indigênte que vaga pela terra tentando entender, tentando encontrar o significado da existência. Muitas vezes é necessário perder tudo para poder valorizar o que já tinha e não queria enxergar. Perguntas intermináveis, questionamentos tudo não passa de pautas inatingíveis que parecem nunca acabar, estão lá para assolar sua mente para te fazer perceber que você é a doença. É a resposta mais plausível e concreta, o homem é sua própria aflição, ele optou por se trasformar nisso, se contenta em buscar migalhas do prazer e corroer o seu interior.
Pouco a pouco, sem perceber a cura vai se tornando cada vez mais impenetrável aquele homem que poderia se tornar um engenheiro de ideias se vende pra um engenheiro da matéria. E essa cura, nenhum dinheiro do mundo pode comprar. Esquecemos a essência em sermos complexos e individuais, preferimos ser uma senha um estériotipo imposto pelos valores da sociedade, um número de cpf já nos basta para nos clasificarmos como alguém, deixamos o que acreditamos de lado para seguir esse esgoto social. Ainda por cima há uns que se orgulham em nele habitar, outros já preferem fingir que ele não existe, mas cedo ou tarde não há como não se deparar com seu cheiro.
E onde foi parar aquela vontade em reecontruir a sociedade dos sonhos? Se foi com a lucidez. Vamos ser sinceros, onde vamos achar uma única pessoa que não possua essa necessidade neurótica por poder, que possa fazer com que a tranparência e a honestidade sejam fiéis a consciência coletiva a fim de regularar os comportamentos sociais em um todo. Essa busca do homem pelas tão chamativas ''migalhas do prazer'' estão sendo confundidas com o prazer de viver, com a dignidade humana. Nesse sistema capitalista não é possível ser digno se você chegar em terceiro lugar, não estou dizendo para você não buscar evoluir e crescer, muito pelo contrário mas precisa haver um equilíbrio sobre esse canibalismo insano.
A miserabilidade psíquica não escolhe classes socias, ou quem paga menos. Não é difícil de encontrar robôs do sistema pelas ruas, de que adianta ter o mais caro dos móveis e não sentir o conforto da sua família, enquanto há aqueles que não tem nem onde se deitar mas encontram o descanço. Esses empresários de aço, não passam de colecionadores de lágrimas.
Continuo olhando para o céu, é assim que eu encontro a luz na minha cabeça só que a morte ainda insiste em prender meus pés. Eu posso mudar meu jeito, mas não da para relutar ou tentar mudar o que permanece, o que ficou aqui da estática. Hoje, minha mente me deu a chance de escolher a vida ou a morte, vou tentar encontrar a reposta, só queria um lugar pra me enforcar mas sem o seu laço. Eu nunca esperei que seria fácil, só não encontro mais motivos suficientes em mim para continuar tornando tão difícil.
Estou procurando, tentando achar em todo canto, todo lugar, mas simplesmente não consigo encontrar essa merda de botão. Cadê? Onde estará, já cansei de procurar, malditos pensamentos que não param de atormentar a minha cabeça, tá se não for pra parar poderia apenas dar uma pausa, deixar um vazio nessas perguntas intermináveis. Eu só queria um descanso, levar minha mente para cima das nuvens, sei lá, qualquer lugar em que eu possa não pensar em nada. Quando eu digo nada, é nada mesmo me prender a minha solidão e ficar lá, horas e horas, quem sabe meses ou até anos.
'' Barbaridade por bárbaros...marchando em frente a hipócritas''